Respeitável público
O fôlego se suspende por alguns segundos, interrompendo qualquer possivel interferência... Todos os sentidos se calam, a vista escurece, o paladar não existe, o olfato some com a respiração presa por segundos... A audição se aguça, percebendo cada detalhe das falas, gritos e movimentação que ocorre na platéia que espera a luz no palco, no picadeiro, nos corredores e nos grandes salões. A maquiagem está impecável, o figurino foi visto e conferido algumas vezes para que não falte nenhum detalhe... Cada um com a sua importância, cada um com a sua história. O chapéu cobre a coroa de luz que nasce da cabeça. A calça larga libera os movimentos e convida a dançar e o sapatão é o contato maior com a terra, com a Terra... É o canal de comunicação com o sagrado, com a raiz da criação. E não é isso que o palhaço é? Raiz!? É a origem das sensações, pensamentos, que nutre a essencia e dá estrutura?... rs... Complexo demais, né?! Mas para quem assiste, passa longe de ser. Na verdade, para quem veste a máscara também deveria ser assim... Deveria. O coração bate forte, a respiração antes silenciosa começa a se tornar rítmica, querendo virar voz, querendo virar comunicação. Olho para um lado e vejo outro palhaço, outro universo de emoções, ansiedades e idéias tão malucas quanto as minhas. Olho para o outro lado e vejo uma palhaça, completa para o momento e com muito para ensinar. Generosidade, escuta e olhares são trocados... É chegada a hora! "RESPEITÁVEL PÚBLICO..." 
Escrito por André às 13h09
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Idas e vindas
Muitas coisas estão se refazendo na minha vida. Estou aprendendo a me reinventar, a me reciclar, mas principalmente a dar a devida importancia às coisas que merecem atenção. Lições importantíssimas foram aprendidas com tempos recordes. Lágrimas correram de alegria, brincando de roda em volta dos olhos que aplaudiam a experiência e a história que se apresentava diante deles.  Eu, Tiago, Picolino II e Xaveco
Estou andando com passos novos, estou aprendendo a tocar sons que meus ouvidos nunca ouviram, estou aprendendo a apanhar, a chorar e a me levantar... Pegando a fila de amigos para apanhar novamente, quantas vezes forem necessárias para aprender o tempo certo. É engraçado como a técnica faz sentido em paralelo a vida... Aprendemos apanhando o tempo certo para se obter o riso. Na minha retomada do caminho perdi pessoas queridas, ou foram embora, se distanciaram, morreram e algumas ainda se sustentam no tênue fio das relações. Mas o importante é que a banda continua a tocar, o palco continua iluminado e o espetáculo não pode parar. 
Escrito por André às 14h57
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